Mas o que é sexualidade? É de comer?

 

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Para iniciar os meus escritos nesse site vamos começar do início mesmo. Nas palestras que eu faço eu sempre pergunto o que é sexualidade e sempre escuto um: cri.. cri.. cri..

Poucos conseguem mensurar o real conceito de sexualidade sem pensar em sexo, então logo que falo o letreiro pulula SEXO, quando na verdade o termo é muito mais abrangente que isso, por exemplo, segundo a Organização Mundial da Saúde, sexualidade é:

Aspecto central do ser humano, que engloba sexo, identidade, papel de gênero, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução. 

Já o Parâmetro Curricular Nacional da Educação diz que:

É algo inerente a vida e a saúde, que se expressa no ser humano, do nascimento até a morte. É o direito ao prazer e ao exercício da sexualidade com responsabilidade.

E para finalizar a contextualização, o filósofo Michel Foulcault, que escreveu a trilogia “Historia da Sexualidade”, explica que a sexualidade:

É uma pulsão ou necessidade natural do ser humano, mas que complicamos através do biopoder, onde  cria uma sexualidade na qual se pode e deve intervir, que é induzida por discursos produzidos em geral na área médica (psiquiatria) e na área da psicanálise.  O poder, tal como Foucault o analisa, produz discursos de verdade pelos quais somos julgados(as), condenados(as), classificados(as), obrigados(as) a tarefas, destinados(as) a certa maneira de viver a sexualidade.

Então, de tudo isso conceituado até agora, você ainda acha que a sexualidade refere-se unicamente ao SEXO? A sexualidade vai muito além, faz parte da forma como nos relacionamos com os outros, com o nosso meio, o que sentimos e pensamos no decorrer de nossa vida. E por não sabemos de algo, que vocês virão que não é um bicho de sete cabeças, acabamos sendo manipulados pelas crenças dos outros, o que o outro acredita, o que o outro quer, o que o outro acha certo, quando devemos criar uma consciência critica do que queremos pra si! A pergunta que deve ser feita não é o que o outro pensa ou quer, mas sim: O que eu quero? O que eu penso? O que desejo? Eu me conheço?

Tudo isso envolve a sexualidade, pois quando temos as respostas não deixamos o outro impor os seus limites acima do nosso. E uma sexualidade saudável faz toda diferença nos relacionamentos. Por isso, combatemos a ignorância com informação, só assim teremos uma sociedade mais humana, empática e com saúde emocional!

Referência

JACOB, J.; ARCARI, C. Clitori-se, Sexualidade. Rio de Janeiro, 2017.

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As crianças têm sexualidade?

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De que maneira ela se expressa? Como deve-se agir?

Os primeiros textos sobre a sexualidade infantil datam de Freud, que ao lidar com seus próprios conteúdos, percebeu que as crianças exprimem a sua sexualidade na infância, mesmo não tendo os mesmos elementos que a sexualidade dos adultos. Para elas a sexualidade é aquela sensação prazerosa da descoberta, que se ela friccionar é interessante, é gostoso e ponto. Eles não elaboram e não tentam entender isso, como os adultos. Apenas sentem, são literais.

Exploram seu corpos através de brincadeiras e expressando seus sentimentos com dramatizações, assim elas vão compreendendo os papeis sexuais, ser homem, mulher, pai e mãe, e constroem seu corpo sexuado, que permanecerá em latência (dormindo) até despertar na pré- adolescência. E não há nada de errado e nem contraditório nisso. Faz parte do aprendizado, da construção da inteligência, existem inúmeros tipos de inteligência, a corporal é uma delas. A criança obtém prazer ao mamar, ao sugar o leite, ao evacuar, ao urinar.

E como adultos devem lidar com essas descobertas das crianças?

  1. Os pais percebendo precisam dialogar com seus filhos, não repreender! Se os pegarem explorando através de brincadeiras, expliquem que não é saudável brincar com os genitais em público, eles podem fazer isso, em seus quartos, sozinhos. Por que assim, irão aprender que a sexualidade não é errado, sujo ou ilegal.
  2. Se começarem a perguntar, respondam apenas o que lhes foi perguntado, sem invenções e nem prolongar a conversa, seja direto, não precisa ser minimalista. Ex: Meu filho já me perguntou de onde ele nasceu. Minha resposta: Da minha barriga (foi cesárea). Isso o satisfez naquela hora, não inventei, nem prologuei, nem expliquei como ele foi parar lá, por que ele não me perguntou isso. Obviamente, quanto mais velho for ficando mais elaboradas serão as perguntas, o segredo é lidar com naturalidade essas questões, os filhos aprendem a ser seguros com seus corpos e sua sexualidade com os pais, principalmente.
  3. Não briguem na frente dos filhos, isso o afetará o modo que eles irão se relacionar com seus pares amorosos mais a frente;
  4. Demonstre amor e carinho ao seu parceiro (a), não há problema dos filhos verem, isso mostrará como uma relação sadia funciona;

Percebam os adultos sexualmente sadios, tiveram pais responsivos e educadores em casa. Já dizia um autor fantástico:

​”O primeiro amor de seus filhos são os pais”

As crianças aprendem a amar e se relacionar primeiro com os pais. E sempre observarão como é a relação dos pais no dia- a- dia. Mais importante que dizer o que é certo ou errado, é DAR o exemplo, as crianças aprendem muito mais.

Um beijo que desperta e até o próximo texto.

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